Houve um tempo em que foi apenas saudade.
Fui sorriso, felicidade, alegria e emoção. Fui a espera nos dias mas sombrios, nos dias mas chuvosos e também nos dia sol.
Fui esperança, abraços, preocupação, revolta e compaixão.
Fui diversão, anseio, desejo, decepção.
Fui o prazer que se tem quando se pode dividir a vida, ainda que sem sequer dividir o mesmo espaço e tempo com outro corpo, em sintonia, ou exaltação.
Dividir a importância, as descobertas, os anceios e intimidades.
Compartilhar os momentos, sentir das mesmas aflições e decepções.
Fui a brincadeira após a raiva, fui consolo e conforto após desavenças.
Fui um todo, um misto do tudo, o completo, fui a fundo, fui...
Hoje sou a frustração.
Uma decepção comparada àquelas de investimentos sem retorno.
Sou incômodo, sou angústia, ainda desejo... como posso ser tanta desgraça?
Sou a nostalgia de um tempo de liberdade, aquele em que a liberdade é a felicidade, livre de todo medo, toda angústia e todo sofrimento.
Sou aquela lágrima, daquele dia, do primeiro último-abraço, aquela que eu não esqueço.
Sim, depois daquela, sou todas as noites em claro e as preocupações.
A incerteza, o desconforto, o silêncio, a distância, a infelicidade.
Sou todas as palavras encontradas nos olhares, aqueles quase não trocados.
Todas as vontades reprimidas de um telefonema, um e-mail, uma mensagem...
Sou todas as palavras não ditas, como as palavras virtuais, frias, “inexpressas”,.
Sou aquela meninia já crescida, porém ainda com os mesmos olhos.
Mais vivos, mais curiosos, mais secos e mais frios.
Aqueles mesmos que brilhavam com brincadeiras, hoje são ofuscados pela tristeza, cicatriz, decepções...
Penso que eles têm medo de não mais ver o que o coração tem saudade e anseia.
Um sorriso sincero, um motivo de felicidade, uma alegria de viver.
Hoje sofro as consequências de um tempo passado, ainda tão presente.
Hoje eu me sinto como uma bonequinha, aquela preferida, a protegidia que não saía das mãos.
Aquela mais aproveitada.
Mas um dia a gente cansa da bonequinha e a guarda numa caixa.
Às vezes ainda a vemos, relembramos do tempo em que ela era tudo pra nós...
Contudo, é improvável que ela volte a ser o centro de nossa atenção.
É visível que ela sente nossa falta, é visível que ela anda infeliz...
Essa infelicidade as vezes dói tanto, mas tanto que sufoca deixando-me com tanta náusea,e as vezes com vontade de sumir pois me sufoca essa angústia que insisti em ficar no meu peito sangrando-me por dentro,me destruindo dilacerando cada parte de mim.

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